Da antipolítica ao acontecimento: o anarquismo dos corpos acontecimentais

José Luiz Aidar Prado

Resumo


O acontecimento que rompe com a ordem estabelecida, com os estados de coisas com representações estáveis, só pode surgir a partir de uma visão pós-fundacional de política em que esta não é gestão condominial dos seres a partir dos biopoderes midiatizados, mas surgimento da voz dos que não têm voz, do povo, a partir das demandas diferenciais que, de início, não dialogavam. A teoria materialista da comunicação é aqui pensada a partir de um antagonismo de base, de uma negatividade da ordem pulsional que circula em um campo tensivo a partir do qual as partes buscam performativamente, na luta pelo reconhecimento (Honneth) e pela visibilidade, a emergência de acontecimentos disruptivos (Badiou). Como os discursos pela democracia radical podem, nessa perspectiva, ser constituídos fora dos arautos corrompidos do sistema tradicional? Como, no momento do acontecimento, emergem corpos anarquistas dispostos a mergulhar no processo de verdade que aí se inicia? Em termos de uma lógica dos afetos ou das paixões, o caminho da política se faz do medo para a alegria, da retenção para a libertação/emancipação. Nesta direção é que pensaremos a comunicação entendida como campo tensivo de emergência da política performativa acontecimental.


Palavras-chave


Tensividade; Acontecimento; Política; Afetos

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DOI: http://dx.doi.org/10.18568/cmc.v14i39.1318

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