“O que é meu é da cigana!”: religiosidade travesti em contextos de curimba digital

Alisson Machado, Sandra Rubia da Silva

Resumo


O artigo interpreta práticas de consumo das tecnologias digitais, em especial do Facebook, na composição das vivências religiosas de matriz afro-brasileira, a partir de uma etnografia para a internet (HINE, 2015) com travestis na cidade de Santa Maria, RS, discutindo algumas intersecções entre religião, tecnologia e transexualidade. O trabalho aponta que nessas práticas se entrecruzam os segredos da curimba, produzidos nos itinerários da fé, com os demais elementos que constituem a vida social das interlocutoras. Além disso, aponta como os sentidos da religiosidade do ilê são conduzidos e interpretados através dos regimes de sociabilidade digital.

Palavras-chave


Travesti; Religião; Redes sociais digitais

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DOI: http://dx.doi.org/10.18568/cmc.v16i45.1921

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